quarta-feira, 13 de maio de 2020

Hoje o jornal me contou que um amigo foi baleado enquanto trabalhava e morreu. Hoje a rádio me narrou que alguém que tinha driblado a morte não conseguira repetir o feito enquanto jogava seu futebol e morreu. Hoje a saudade me lembrou de quem pensou em ir e morreu. A dor da perda exige tempo para doer. Uma coisa é dizer adeus, outra é não ter mais como telefonar ou visitar ou abraçar ou beijar ou partilhar uma casualidade fora de hora. Ficar sozinho é muito mais fundo do que estar sozinho.
Há momentos que só poderiam ser feitos com um ente que não existe mais. Um beijo, um afago, um olhar podem fazer a diferença em momentos atribulados e não comprometem os projetos de ninguém.
Somos instantes.
Sejamos intensos, ansiosos, impacientes - mas não posterguem seus abraços.

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