quarta-feira, 13 de maio de 2020

R.P sd

Um dia, sem aviso prévio, as pessoas se vão e nos deixam de lembrança suas histórias. Sejam elas as vividas ou contadas.
A saudade brinca de doer e, injustamente, tira para dançar quem nunca ensaiou o adeus. Ela é uma lembrança de que houve amor, seguida de dores que transportam a alma para um passado bonito, mas distante.
Sentir saudade é perceber que alguém deixou em nós mais de si do que poderíamos suportar.
A verdade é que um dia, cedo ou a tarde, a dor invade sem pedir licença. Se coloca ao nosso lado, conversa com a gente e nos diz que não irá embora até respondermos a ela. A dor engana, cria ilusão, se faz infinita.
Com a "dor da dor" e com o privilégio do tempo aprendi que o amor de uma pessoa que se foi, na verdade, nunca se vai.
Ele fica.
Nas lembranças, nas histórias, na saudade e na esperança certeira dela estar sempre torcendo por nós.
Com alguns dias ressentidos e rancorosos, com o sentimento de insegurança e com aquela sensação de impotência, a gente aprende que a vida não passa de uma oportunidade de encontro. Encontrar quem a gente ama, nos doar inteiramente e saber que, isso terá um fim e, mesmo não parecendo, será o suficiente.
A saudade sempre grita. Mas para isso também nos serve a morte. Para que a gente trate os afetos com mais urgência e intensidade. Para que não se adie amores. Para que seja hoje, agora. Somos finitos espaços de tempo, - mas não se poupe. A vida sabiamente faz suas concessões. A certeza do coração, diz à ela que um dia a gente irá descobrir que, como dizia Arthur Schopenhauer, "o amor é a compensação da morte" e particularmente, a única justa forma de enfrentar o nosso pobre existir

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