quinta-feira, 30 de junho de 2011

Aaaaa o inverno

   Nestes dias frios há mais silêncio, mesmo de dia, inclusive da parte dos bichos, como se dessem trégua a correria e a barulheira, latidos e comparecimento de aranhas, baratas, formigas. O olhar é mais atento, menos disperso, mais perspicaz: sente mais. E sentar ao sol que não queima nem faz suar aquece também a alma, convida a sonhar, cochilar, namorar... Daí mais comedimento, menos espalhafato, mais elegância. Anda-se mais devagar, sempre que possível, talvez para armazenar calor, e isto prolonga os passeios e as conversas, se se está em paz. Dá vontade mais vezes de arrebentar pipoca e tomar chocolate quente, de beber mais chá ou café, de assar bolo e pão, fritar bolinho, ficar junto, conversar. E de abraçar o cobertor que ficou quente, na janela (que delícia!) e aproveitar aquele trecho da cama (ou de qualquer outro lugar) onde o sol pega à tarde, ou de manhã, e sentar ali com um livro, esquentar os pés, as costas, chupar mexerica, lagartixar... Tão simples! 


No mais achei essa foto perfeita, bem tipica de se ver nos dias de sol


http://www.overmundo.com.br/banco/dias-de-inverno

sexta-feira, 24 de junho de 2011



Eu bravo
Ficou só
Do mundo tornara-se ridículo
Para nele se viver

Eles não dizem adeus 
Os índios dizem: vá em frente 
E que os deuses te acompanhem 
Se hoje você perdeu,
Amanhã você pode ganhar

As coisas mudam...

Agora você não sabe
Depois poderá descobrir
As coisas mudam

Tem dias que chove muito
No outro o sol despontará
As coisas mudam


Agora você está triste
Depois poderá rir disso
As coisas mudam

Se hoje você tem saudades
Amanhã poderá se casar
As coisas mudam

Num dia você vai pro norte
No outro você vai pro sul
As coisas mudam
Ele não dizem adeus 
Os índios dizem: até o outro sol 
E que os deuses te acompanhem

WANDER WILDNER

Há esse tal amor.


Ah pessoas que esperam uma vida.
Um vida toda por um amor.
Mas tem que se aprender que não existem alguém perfeito pra se amar.
Existem pessoas com seus defeitos e qualidades.
Se apaixona por suas qualidades e percebe que o ama quando aceita seus defeitos.
quando se está amando esse alguém com quem se está é perfeito ao nosso olhar...
Por vezes não entendo meus próprios sentimentos.
mas Você afasta meus medos meus anseios.
Me deixa seguro pra amar-te 
Meu amor é simples, meus sentimentos
e é o que tenho pra lhe oferecer.


terça-feira, 14 de junho de 2011

Direito de amar, direito de sofrer

A chance de felicidade é igual ao risco de dor. 
Sempre que você ama, é muito bom para ser verdade. 
Mesmo assim, é mais verdadeiro do que você acredita, 
Nem você saberá até que desaparece de novo. 
O tempo é um mar que se abre onde você pegará 
No entanto, agita sobre o que você deixa para trás.
Por agora, meu amor canta nas estrelas, 
Ou assobia contra as rochas como o mar, 
Desvendando sua vida quando você pausa para lamentar, 
Retornando com a luz do sol, com chuva. 


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Canção dos homens/


Que quando chego do trabalho ela largue por um instante o que estiver fazendo
- filho, panela ou computador - e venha me dar um beijo como os de antigamente.

Que quando nos sentarmos à mesa para jantar
ela não desfie a ladainha dos seus dissabores domésticos.

E se for uma profissional, que divida comigo o tempo de comentarmos nosso dia.

Que se estou cansado demais para fazer amor,
ela não ironize nem diga que "até que durou muito" o meu desejo ou potência.

Que quando quero fazer amor ela não se recuse demasiadas vezes, nem fique impaciente ou rígida, mas cálida como foi anos atrás.

Que não tire nosso bebê dos meus braços dizendo que homem não tem jeito pra isso, ou que não sei segurar a cabecinha dele, mas me ensine docemente se eu não souber.

Que ela nunca se interponha entre mim e as crianças, mas sirva de ponte entre nós quando me distancio ou me distraio demais.

Que ela não me humilhe porque estou ficando calvo ou barrigudo, nem comente nossas intimidades com as amigas, como tantas mulheres fazem.

Que quando conto uma piada para ela ou na frente de outros, ela não faça um gesto de enfado dizendo "Essa você já me contou umas mil vezes".

Que ela consiga perceber quando estou preocupado com trabalho, e seja calmamente carinhosa, sem me pressionar para relatar tudo, nem suspeitar de que já não gosto dela.

Que quando preciso ficar um pouco quieto ela não insista o tempo todo para que eu fale ou a escute, como se silêncio fosse falta de amor.

Que quando estou com pouco dinheiro ela não me acuse de ter desperdiçado com bobagens em lugar de prover minha família.

Que quando eu saio para o trabalho de manhã ela se despeça com alegria, sabendo que mesmo de longe eu continuo pensando nela.

Que quando estou trabalhando ela não telefone a toda hora para cobrar alguma coisa que esqueci de fazer ou não tive tempo.

Que não se insinue com minha secretária ou colega para descobrir se tenho amante.

Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza e de ternura, me desarmar, me desnudar de alma, sem medo de ser criticado ou censurado: que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.

Que cuide um pouco de mim como minha mulher, mas não como se eu fosse uma criança tola e ela a mãe, a mãe onipotente, que não me transforme em filho.

Que mesmo com o tempo, os trabalhos, os sofrimentos e o peso do cotidiano, ela não perca o jeito terno e divertido que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.

Que eu não sinta que me tornei desinteressante ou banal para ela, como se só os filhos e as vizinhas merecessem sua atenção e alegria.

E que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente,

Ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz, menos solitário, e muito mais humano.
Lya Luft

Canção das mulheres/


Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Lya Luft