Mas esta noite sinto que está vindo isso que se instalou em mim sem eu saber: a minha hora chegou. Sem entendimento nem explicação, estou por parir. Peguei muitas toalhas, deixei o telefone fora do gancho, e me deitei na velha cama que range a qualquer movimento:
Pernas erguidas e abertas, nua como quando nasci e nunca fiquei a não ser na hora do banho rápido todas as manhãs, estou à espera. É o único jeito que encontrei de liquidar com meu espectro. No começo nada aconteceu. A criatura parou de se mexer, quem sabe morreu e vai sair, como um bebê morto e já decomposto que uma.
Agora a coisa se move outra vez. Impulsiona o corpo para fora, quer sair. A dor é pavorosa, e eu grito, sozinha na casa posso gritar feito um animal esquartejado em vida. Sozinha sem companhia e sem ajuda, eu grito e com minha voz reboa pela casa grande, velha e vazia como num despenhadeira ou num deserto.
Aos poucos ele vem. Eu me contraio toda, faço força como sei que se deve fazer nessa hora, e berro, e choro e me desespero, meus dentes batem e rangem de pura agonia. Quero fechar as pernas e voltar ao tempo, e apagar esse horror, mas não consigo; Esse horror é concreto, não vai se assustar com meu pensamento nem fugir com minhas caretas. Só quando o medonho parto tiver terminado, vou poder matar a criatura, espantar o mal que me ataca, e acordar e estar para sempre livre de volta à minha vida.
continua, ou não .....
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
O outro dava risadas pendurado na sua liberdade como num balão colorido. Ele sai pela noite e ri sem pudor no vento; Enquanto eu medíocre fico de olho aberto no escuro pensando na minha cama. Agora aos poucos, cada dia mais vezes percebo que ele me sequestra para fora do trivial, deste considerado obrigatório e normal, e me deixa ser, também eu.
`Por alguns momentos o homem proibido, livre da sua mesmice talvez não sobreviva, o que me assusta porque morrer também não quero, talvez a morte seja o risco a se pagar.
De qualquer forma se for assim ela estará sorindo pra mim, é no que quero acreditar
`Por alguns momentos o homem proibido, livre da sua mesmice talvez não sobreviva, o que me assusta porque morrer também não quero, talvez a morte seja o risco a se pagar.
De qualquer forma se for assim ela estará sorindo pra mim, é no que quero acreditar
O Silêncio dos Amantes
"Sem que eu soubesse, as coisas
não ditas haviam crescido como
cogumelos venenosos nas paredes
do silêncio, enquanto ele ficava
acordado na cama, fitando o teto,
com o branco dos olhos reluzindo
na penumbra.
Se eu interrogava, o que você tem
amor? Ele respondia que não era
nada, estava pensando no trabalho.
Agente sabia que era mentira, ele
sabia que eu sabia, mas nenhum de
nós rompeu aquele acordo sem palavras.
Nunca imaginei o mal que o roía"
não ditas haviam crescido como
cogumelos venenosos nas paredes
do silêncio, enquanto ele ficava
acordado na cama, fitando o teto,
com o branco dos olhos reluzindo
na penumbra.
Se eu interrogava, o que você tem
amor? Ele respondia que não era
nada, estava pensando no trabalho.
Agente sabia que era mentira, ele
sabia que eu sabia, mas nenhum de
nós rompeu aquele acordo sem palavras.
Nunca imaginei o mal que o roía"
Lya Luft
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Finge que me ama, finjo que acredito
O nosso beijo foi ficando amargo
o nosso abraço já não tem calor
nosso sorriso já não tem mais graça
nada que eu faça já não tem valor
O nosso amor que era um mar de rosas
E bem maior que o próprio infinito
Agora enquanto finge que me ama
Eu aqui comigo finjo que acredito.
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